Americanas: Santander vai à Justiça e pede acesso a WhatsApp de sócios


Depois do BTG Pactual e do Safra, o Santander engrossou a lista de bancos que querem suspender a recuperação judicial da Americanas, em uma tentativa de reaver os empréstimos feitos ao longo dos últimos anos. O banco espanhol é o segundo maior credor financeiro da varejista, com uma dívida total de R$ 3,7 bilhões.

Em ação judicial protocolada ontem, o Santander pede, primeiro, a suspensão das proteções que a varejista recebeu no processo de recuperação judicial, como o congelamento de pagamentos de financiamentos anteriores ao pedido e prazo de 180 dias para renegociar o passivo, que chega a R$ 43 bilhões.

O banco quer também acesso a informações que possam comprovar eventuais condutas irregularidades de diretores, presidente e até dos acionistas de referência, os brasileiros Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles.

Com 31% das ações da Americanas, os bilionários foram os sócios majoritários da empresa até meados do ano passado, quando, na fusão da operação das Lojas Americanas com a B2W (dona das marcas Americanas.com, Submarino e Shoptime), o trio deixou a posição de controlador.

Dentre as informações requeridas pelo Santander está a troca de mensagens entre executivos da Americanas e os sócios de peso. A informação foi divulgada inicialmente pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

“(O pedido inclui) todas as correspondências, incluindo e-mails, cartas e/ou mensagens de WhatsApp, Telegram ou qualquer rede social, que os seus executivos e demais empregados da companhia tenham recebido ou trocado com os acionistas controladores nos últimos dez anos, a respeito das chamadas operações de risco sacado (os financiamentos para pagar fornecedores) e quaisquer outras relacionadas às ‘inconsistências contábeis’”, pedem os advogados representantes do Santander.

Sergio Rial

A briga do Santander com a Americanas traz um um ponto inédito. Por um breve período, o banco e a varejista compartilharam um executivo: durante os 9 dias em que esteve no cargo de diretor-executivo da Americanas, Sergio Rial também ocupava o posto de presidente do Conselho de Administração do Santander. Tal arranjo de “compartilhamento” de conselheiros e diretores não é raro entre grandes empresas brasileiras.

O mandato de Rial na Americanas foi relâmpago. Empossado no dia 2 de janeiro, o executivo renunciou no dia 12 do mesmo mês, quando foram divulgadas também as primeiras informações sobre a “inconsistência contábil” de R$ 20 bilhões.

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Nos primeiros dias após a bomba ser jogada no mercado, Rial assumiu as negociações entre os bancos e a varejista, uma tentativa de evitar que os credores financeiros executassem dívidas da Americanas antecipadamente, o que empurraria a empresa para a recuperação judicial.

Logo ficou claro que, como presidente do conselho do Santander, Rial tinha uma posição muito delicada nessa equação. O executivo tirou o time de campo e a Americanas contratou uma empresa especializada em reestruturação, a Rothschild & Co, para conduzir as conversas com os bancos. Contratou, também, uma nova diretora financeira – Camille Faria, executiva que participou da recuperação judicial da Oi.

Irritados pela possibilidade de fraude contábil na Americanas, os bancos fecharam o cerco e trataram de tentar executar as dívidas. O primeiro foi o BTG Pactual, mas Safra, Itaú, Votorantim e outros já ingressaram com ações judiciais para fazer o mesmo. Agora, o Santander.

Em meio à confusão, Rial decidiu renunciar ao cargo de presidente do conselho do banco. No comunicado, divulgado na última sexta-feira (20/1), o Santander informa que o executivo também não faz mais parte dos conselhos de assessoramento.

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